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Primeira Unidade de Intervenção

Em Julho de 2005, a Coimbra Viva SRU lançou o concurso público para a elaboração do Documento Estratégico da 1ª Unidade de Intervenção da Cidade de Coimbra. Esta unidade localiza-se na zona da Baixa de Coimbra que foi considerada uma área prioritária pela Câmara Municipal de Coimbra, com fundamento no relatório elaborado pela Comissão Interdisciplinar da Baixa, onde foram estabelecidas algumas bases orientadoras para esta intervenção.

Para a elaboração deste documento foram ainda importantes os levantamentos de arquitectura, de patologias e de sociologia, realizados pela Universidade de Coimbra através de um protocolo celebrado com a CMC o qual abrangeu ainda a criação da Base de Dados denominada SIGURB [Sistema de Informação e Apoio à Decisão para Gestão Urbana].send(Site do SIGURB)

Para além destes elementos, o Projecto Base do Documento Estratégico para a 1ª Unidade de Intervenção na Baixa de Coimbra foi elaborado conforme o pdf Decreto-Lei nº 104/2004, de 7 de Maio (Peso do ficheiro 144Kb), que aprova o regime excepcional de reabilitação urbana para as zonas históricas e áreas críticas de recuperação e reconversão urbanística.

Localização

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Caracterização Prospectiva

A Caracterização Prospectiva, apresenta uma análise da área da Primeira Unidade de Intervenção e sua envolvente. Para aproximação à área de estudo parte-se de uma escala mais abrangente, para o seu enquadramento, sendo posteriormente, a uma escala mais próxima, feita a caracterização da situação existente na Unidade de Intervenção.

Enquadramento Geral - Morfologia Urbana e Morfologia Parcelar

A Baixinha é, sem dúvida, um dos mais relevantes sectores urbanos de Coimbra, onde se encontra parte significativa da memória histórica da cidade.

Dois locais notoriamente privilegiados pela sua localização estratégica - a Praça do Comércio, que conserva ainda edifícios mandados erigir pela burguesia mercantil nos séculos XVIII e XIX, e a Praça 8 de Maio, que constitui o ponto de afluência na Baixa das Ruas da Sofia, Olímpio Nicolau Fernandes, Figueirinhas, Visconde da Luz, Corvo, Louça, Moeda e Direita.

Estas duas praças constituíram desde sempre um local privilegiado para as transacções comerciais ambulantes e foi na Praça 8 de Maio que funcionou o primeiro teatro público da cidade, no início do século XIX.

Muitos dos equipamentos colectivos encontram-se na Baixa e áreas directamente envolventes, sendo servidos pelos arruamentos principais como o eixo da Rua Visconde da Luz / Rua Ferreira Borges, Rua Olímpio Nicolau Fernandes e Rua da Sofia, entre outros.

O Teatro da Cerca de S. Bernardo, junto ao Pátio da Inquisição, constitui um dos novos espaços que surgiram recentemente nesta zona da cidade. Destaca-se também o Centro de Artes Visuais (CAV), local privilegiado dos Encontros de Fotografia e com programação regular de exposições ligadas às artes visuais. Ainda nestas imediações encontram-se a Cena Lusófona, uma Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, e A Escola da Noite, companhia de teatro profissional desde 1992. (Planta de Enquadramento – desenho nº 1).

A malha interior da Baixinha é ocupada sobretudo por funções de alojamento, comércio e serviços, situação que imprime características morfológicas muito próprias.

Apesar da Baixinha ser caracteristicamente uma zona comercial e de serviços, verifica-se que tem também grandes potencialidades culturais, que poderão fortalecer o desenvolvimento da Baixa.

A malha urbana da Baixinha apresenta morfologias orgânicas peculiares a sul da Unidade de Intervenção e nas situações dos assentamentos em suporte físico de maior declive, e morfologias mais regulares na correspondência aos sectores cujo suporte físico apresenta pendentes suaves.

Os quarteirões de matriz tradicional que caracterizam todo este sector da cidade apresentam dimensões e geometrias diversificadas. A sul da Rua do Corvo o traçado apresenta um notável desenvolvimento por uma série de ruas e travessas, e é pontuado por uma profusão de pequenos largos, resultando assim uma morfologia urbana peculiar. Neste sector, encontram-se quarteirões com diversas geometrias e dimensões, cujas parcelas são por vezes inteiramente ocupadas pelas correspondentes construções, pelo que são raros os espaços de logradouro que, pela sua exiguidade, se reduzem em geral a exíguos espaços-saguão.

Na Unidade de Intervenção em estudo o traçado apresenta uma notável regularidade e alinhamento, como a Rua da Moeda, a Rua João Cabreira, a Rua da Nogueira e a Rua Direita, não obstante o traçado em curva (também regular) do tramo sul deste último arruamento.

  • A Unidade de Intervenção é fundamentalmente constituída por um edifício isolado na Rua Nova, com frente para a Rua da Sofia, e pelos três seguintes quarteirões:
  • Quarteirão com uma forma aproximadamente triangular delimitado pela Rua da Sofia, pela Rua Direita e pela Rua Nova. A forte densidade de ocupação construtiva neste quarteirão resulta fundamentalmente da sua reduzida dimensão, pelo que são exíguos os espaços de logradouro;
  • Quarteirão com uma forma quadrangular delimitado pela Rua Direita, Rua da Moeda, Largo das Olarias/Bota-a-Baixo e Rua João Cabreira, que também apresenta uma forte densidade construtiva. Os espaços abertos em presença resultam das demolições recentemente efectuadas pela Metro Mondego.A dimensão predominante nascente/poente constitui uma das principais características deste quarteirão, que se verifica igualmente nos quarteirões adjacentes a sul, delimitados pela Rua da Louça e pela Rua do Corvo;
  • Quarteirão de forma trapezoidal delimitado pela Rua Direita, Rua João Cabreira, Rua da Nogueira e Largo do Bota-a-Baixo. Este quarteirão apresenta espaços abertos no seu interior, resultantes da sua geometria e dimensão da estrutura parcelar.

As escalas e geometrias das parcelas instituídas relacionam-se claramente com a dimensão e geometria dos quarteirões.

As parcelas de menor tamanho, com frentes entre 3 e 4,5 metros são as que têm serventia a partir do tramo sul da Rua Direita, e as parcelas maiores são as servidas pelo tramo poente da Rua da Moeda e as que integram o quarteirão mais a norte da Unidade de Intervenção, com as frentes e profundidades de construção com maior dimensão.

As morfologias parcelares apresentam uma grande regularidade geométrica devido às características do traçado e a outros factores de contenção morfológica como a ribela.

Os contragavetos apresentam recortes em geral complexos pelos contactos entre fachadas de tardoz de construções confrontantes, de que resultam imóveis com apenas uma frente. Veja-se os casos do contragaveto da Rua Direita com a Rua da Moeda. A confrontação de empenas de tardoz resulta ainda da presença de algumas construções com grande desenvolvimento em profundidade no interior dos espaços dos quarteirões, como o caso da ‘Casa Aninhas’, por exemplo. Alguns imóveis apresentam apenas uma frente por se encontrar envolvido por uma das construções confrontantes, como o caso do imóvel da Rua da Sofia que será porticado para inserção da plataforma do metro, e que apresenta uma profundidade de construção diminuta.

São assim reconhecidos na Baixinha padrões morfológicos de grande coerência significante, com os quais interfere o traçado do futuro espaço colectivo resultante da inserção urbana da infraestrutura do metro. O perfil transversal deste novo espaço público tende a afastar-se das escalas patenteadas pelo sistema espacial em que se insere. No entanto, a leitura da sua escala será calibrada pela “ocupação” prevista para esse mesmo perfil, seccionando-o por partes, esperando-se que as soluções de reabilitação da malha urbana lhe confiram sentido e qualificação evidente.

Proposta de intervenção

A intervenção de reabilitação na Unidade de Intervenção que é objecto deste primeiro Documento Estratégico enquadra-se nas linhas gerais e objectivos da estratégia global de reabilitação e de requalificação da Baixa de Coimbra, designadamente pela revitalização das funções e actividades instaladas, e pela requalificação do edificado, dos espaços públicos, das infraestruturas e da rede de equipamentos existentes, tendo em vista a vivificação da malha urbana e a melhoria da qualidade de vida dos usuários do sector urbano intervencionado.

O Projecto Base de intervenção neste sector procura assim ajustar-se às seguintes linhas de orientação:

  • Requalificar a oferta habitacional, designadamente, com padrões mais elevados de habitabilidade e de conforto. Os pisos altos são preferencialmente destinados a alojamento (cerca de 360 fogos de tipologias diversificadas);
  • Recompor a população residente, nomeadamente através da fixação dos actuais moradores, assim como de população jovem, de perfil diversificado, incluindo população flutuante, jovens recentemente entrados no mercado de trabalho e famílias jovens;
  • Assegurar a integração funcional desta Unidade de Intervenção no perfil comercial e turístico da Baixa de Coimbra;
  • Qualificar o pequeno comércio tradicional, ajustando o comércio de proximidade a novos padrões de consumo que decorram da presença de novos residentes, bem como da procura pela população que trabalha na Baixa. Os pisos térreos das construções são destinados a funções comerciais e de serviços;
  • Manter uma presença equilibrada de serviços que contribuam para reforçar a centralidade da Baixa;
  • Valorizar os equipamentos e estruturas de animação cultural, social e urbana, sendo proposta a localização de um equipamento colectivo (creche/jardim de infância) na Rua João Cabreira;
  • Melhorar a qualidade do espaço público, configurando espaços com manifesta vocação convivial (pequenas praças ou espaços de esplanada), permitindo contribuir para reforçar a atractividade e as dinâmicas de animação urbana (diurna e nocturna).

O presente exercício de projecto é precedido por um conjunto de pressupostos e condicionamentos de partida, sendo o traçado da infraestrutura do metro o que mais interfere com a malha urbana existente. O referido traçado, em corte na malha urbana entre a Rua da Sofia e a margem ribeirinha, constitui um factor de ruptura morfológica com exigências específicas de estruturação urbanística e ambiental.

Tratando-se de uma malha histórica marcada por valores significantes distintivos, é reconhecida como incontornável a prevalência de uma leitura de contextuação das propostas, e, sobretudo, a necessidade da sua integração com uma série de factores de contemporaneidade também imprescindíveis, alguns dos quais, de resto, inerentes à própria inserção da plataforma do metro.

A preservação da morfologia parcelar constitui assim um dos principais critérios de intervenção, já que modela todas as formas em presença, constituindo-se como veículo privilegiado de contextuação das soluções propostas. As geometrias, ritmos e escalas que caracterizam o lugar urbano intervencionado têm representação objectiva na forma das parcelas instituídas e respectivas ocupações edificadas.

Para todas as situações de manutenção das morfologias parcelares, volumetrias, fachadas, paredes meeiras e outras estruturas existentes, são também respeitados os actuais pés-direitos, para que se mantenham as relações entre pavimentos interiores e os correspondentes vãos de fachada.

As formas de agregação tipológica ensaiadas (para melhoramento das condições de serventia e de habitabilidade das construções) respeitam as morfologias parcelares existentes, com excepção dos ajustes decorrentes da inserção urbana da plataforma do metro (do sistema constituído pela infraestrutura do metro, pela via partilhada rasante e pelas superfícies dedicadas aos peões). A conjugação tipológica de imóveis existentes não tem efeitos ao nível das fachadas nem ao nível das correspondentes coberturas, que mantém a sua autonomia estrutural e formal.

O melhoramento das condições de conforto do espaço público é ainda um factor central das soluções preconizadas, e decorre não só das correspondentes escalas e morfologias, mas também dos níveis de mobilidade e da qualidade do equipamento e mobiliário urbano de guarnição vivencial. A renovação global das infraestruturas urbanísticas é também um factor de grande importância, dados os efeitos de qualificação produzidos quer na serventia ao edificado quer na serventia ao espaço público.

A solução geral proposta reconhece os seguintes critérios de actuação fundamentais:

  • Leitura dos padrões de identidade do lugar urbano, padrões claramente marcados pela notável conjugação dos factores de unidade e de diversidade dos factos urbanos em presença. Tal leitura é estabelecida por reconhecimento morfológico e tipológico às escalas da cidade, da Baixinha, da malha intervencionada, dos seus quarteirões constitutivos e das parcelas em presença;
  • Reconhecimento dos valores significantes e dos factores dissonantes existentes. A própria malha urbana, a sua morfologia, imagem, recorte volumétrico e escalas do traçado e do parcelar, constitui-se como eminente valor cultural e urbanístico.
  • Uma abordagem projectiva de base eminentemente morfológica. Factores como as geometrias e escalas do traçado, do parcelar e do edificado levam a optar pela preservação e reprodução das subjacentes correlações e “regras” de composição urbana.

É adoptado o modelo urbanístico de quarteirão tradicional, embora com pátios e outros espaços colectivos “interiores”, servidos por atravessamentos transversais aos principais arruamentos para reforço dos níveis de conexão urbana, o que obriga a um elevado desempenho urbanístico e formal das fachadas orientadas para os referidos espaços “interiores” (a reabilitar de acordo com as novas competências enquanto frentes urbanas dos novos espaços colectivos a constituir no interior de cada um dos três quarteirões que integram a Unidade de Intervenção).

Os novos espaços públicos onde se insere a plataforma do metro, a nascente e a poente da Rua Direita, adquirem características específicas pelas suas geometrias e proporções. Não obstante a inserção da plataforma do metro, o refechamento destes quarteirões é assegurado pelo edifício-ponte da Rua da Sofia (por rompimento parcial da actual construção, que será porticada), pelo edifício-ponte proposto para o Largo das Olarias, e pelas estruturas a instalar nos hiatos rasgados nas frentes da Rua Direita.

As novas construções propostas para a Rua João Cabreira reproduzem as correlações de formas, escalas, ritmos e padrões de linguagem patenteadas pelo edificado existente.

Relatório da consulta aos interessados

Dados da consulta em formato .pdf pdf

Bases de Intervenção / Documento estratégico aprovado

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Peças desenhadas

Cadastro situação existente - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Estado de conservação - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Volumetria - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Necessidades de intervenção - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Estrutura funcional do existente - piso terreo - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Estrutura funcional do existente - piso alto tipo - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Cadastro reformulacao proposta - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Morfologias a manter morfologias propostas - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Programa e sentido tipológico proposto subsolo - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Programa e sentido tipológico proposto piso térreo - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Programa e sentido tipológico proposto piso 1 - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Programa e sentido tipológico proposto piso 2 - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Programa e sentido tipológico proposto piso 3 - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Programa e sentido tipológico piso 4 - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Planta de padrões propostos para espaço público - clique na imagem ou neste link para ampliar em formato .pdf pdf

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Situação existente planta coberturas - clique na imagem ou neste link para ampliar, formato .pdf pdf

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Solução proposta planta de síntese coberturas - clique na imagem ou neste link para ampliar, formato .pdf pdf

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Imóveis classificados da zona de protecção- clique na imagem ou neste link para ampliar, formato .pdf pdf

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Perfis conjuntos existente - clique na imagem ou neste link para ampliar, formato .pdf pdf

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Perfis conjuntos existente - clique na imagem ou neste link para ampliar, formato .pdf pdf

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Perfis conjuntos de síntese - clique na imagem ou neste link para ampliar, formato .pdf pdf

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Perspectivas 3D

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